Você ainda consegue pensar fora da caixa? Ou usa apenas Inteligência Artificial?
A Inteligência Artificial (IA) faz parte da rotina de muitas pessoas. Ferramentas como ChatGPT, Claude e Gemini são utilizadas para estudar, trabalhar, organizar tarefas e até elaborar mensagens do dia a dia. Com a facilidade proporcionada por essas tecnologias, surge uma questão: quando a IA deixa de ser um apoio e passa a fazer aquilo que deveria ser desenvolvido pelo próprio usuário?
Para o coordenador dos cursos de Tecnologia da UNAMA Santarém, Marcos André, o uso excessivamente passivo da tecnologia pode afetar o desenvolvimento cognitivo. Ao delegar constantemente tarefas como escrever, criar ideias ou solucionar problemas, o usuário deixa de exercitar criatividade, raciocínio e pensamento analítico.
“Ao utilizar a IA de forma passiva, eu entrego tudo para ela. E isso fica mais cômodo. Porém, existe o risco de uma atrofia do esforço cognitivo. A mente não será treinada e o raciocínio e a criatividade não serão trabalhadas”, explica.
Isso não significa que a tecnologia deve ser deixada de lado. Nos estudos, por exemplo, a IA pode auxiliar na compreensão de conteúdos, análise de ideias e busca por novas perspectivas. No ambiente profissional, costuma contribuir para a organização e automação de processos, aumentando a produtividade e permitindo que o usuário dedique mais tempo a outras atividades.
O cuidado está em não aceitar as respostas produzidas pela ferramenta sem questionamento. Sistemas de IA podem apresentar informações incorretas ou imprecisas. Por isso, é importante verificar fontes, comparar dados e aprofundar o conteúdo antes de utilizá-lo.
“O limite está exatamente no momento em que a IA deixa de ser uma interface de consulta e passa a se tornar uma decisão crítica por mim”, destaca Marcos André.
Uma das estratégias apontadas pelo professor para preservar a autonomia intelectual é pensar antes de recorrer à ferramenta. Por exemplo, elaborar uma primeira ideia, buscar uma solução e só em seguida utilizar a IA para complementar, questionar ou aprimorar o raciocínio.
Dessa forma, a Inteligência Artificial pode funcionar como uma extensão das capacidades humanas e não como uma substituta. O desafio está em utilizar a tecnologia para potencializar o conhecimento sem deixar de desenvolver as habilidades que dependem do próprio indivíduo.
Imagem: Getty Images






